segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A OPORTUNIDADE DE VIDA

“Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam. Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.
(Lucas 13.1-4)

O termo “oportunidade” está relacionado à expressão ob portus, que quer dizer “para o porto”, originalmente um termo utilizado no âmbito da navegação, significando a possibilidade de uma embarcação chegar a determinado porto. Na vida alguns acontecimentos têm potencial para melhorar o estado das coisas, bastando apenas que esses momentos sejam identificados como tal e, assim, aproveitados adequadamente.

O texto em questão mostra algumas pessoas expondo a Jesus uma das tragédias que haviam acontecido recentemente. Coisas horríveis tinham sucedido aos galileus. Primeiramente, o governador romano Pilatos havia matado alguns e misturado o sangue deles ao de seus sacrifícios. Depois, uma torre cai e mata dezoito de uma única vez. Será que a causa desses males foi por merecimento de suas vítimas?

A resposta de Jesus é um enfático “Não”! Aqueles galileus não haviam sido selecionados para uma punição especial. Eles não eram mais culpados do que quaisquer outros, como inclusive nós nos dias de hoje. Os eventos sucedidos, segundo o Mestre, deviam ser entendidos como um aviso de que todos iremos morrer um dia. A questão, assim, se resume a como aproveitamos as boas oportunidades oferecidas por Deus ao longo dessa vida.

Ao contar a seguir a parábola da figueira estéril – vv. 6-9 de Lucas 13 – Jesus ilustra bem essa situação. Uma figueira havia sido plantada em um lugar especial, no meio da vinha. Apesar de sua situação privilegiada, não produzia os frutos esperados. Pela misericórdia do seu dono, mais um tempo lhe foi dado antes de ser cortada. Se depois disso não reagisse, seria removida para dar lugar a outra que não desprezasse A OPORTUNIDADE DE VIDA.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

AS ARMADILHAS DO PECADO

“Então, ela o pegou pelas vestes e lhe disse: Deita-te comigo; ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora.”
(Gênesis 39.12)

Quando avaliamos mais detidamente os nossos jovens de hoje, percebemos o incrível potencial que invariavelmente todos possuem. À princípio, eles têm tudo para ser bem-sucedidos na vida. Porém, há algo que precisam desde logo aprender: a renunciar as coisas pequenas e fáceis de obter, para ganhar aquelas que de fato valem a pena. A fase da juventude é a que apresenta os maiores prazeres na vida, mas certamente também os maiores perigos. Assim, para ter sucesso é preciso aprender inicialmente algumas coisas, em especial que devemos depositar nossa esperança somente em Deus, que nos reserva sempre o melhor nessa vida.

Há uma grande possibilidade de sermos tentados a trocar o melhor de Deus pelo que é apenas bom nesse mundo. Os planos de Deus para José eram que ele se tornasse governador do Egito, mas não faltou em seu caminho a persuasão desse mundo. O texto nos informa que em certa ocasião a mulher de Potifar, seu senhor, sugere que ele fosse seu amante. José poderia ter simplesmente aceitado, vivendo na mediocridade do pecado. Mas havia algo muito melhor para ele.

A confiança de José em Deus fez com que tomasse uma decisão radical em face da tentação: fugir, pois sabia que não haveria uma maneira fácil de sair daquela situação. Escolheu o caminho que o levou à prisão, sendo fiel a Deus, em lugar do caminho fácil que o levava ao pecado. Assim como José, precisamos renunciar às coisas pequenas e fáceis da vida, para conquistar as realmente grandes, embora por caminhos mais difíceis. Sozinhos, porém, não conseguimos ter sucesso. Mas em Cristo, certamente, teremos como identificar e evitar AS ARMADILHAS DO PECADO.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

TEMPESTADES DO BEM

“Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar.”
(Mateus 14.22-25)


Enfrentar as grandes tribulações da vida nunca é fácil, até mesmo para pessoas mais experimentadas. Quando se esgotam todas as forças interiores, resta somente esperar por socorro externo. Com o passar do tempo de aflição aumenta a incerteza, e a insegurança vai tomando conta da pouca fé que ainda podemos ter. A passagem bíblica de hoje mostra que em muitas situações é o próprio Deus quem nos coloca no meio da tempestade. Surge então a pergunta: mas qual é, afinal, o divino propósito nisso?

Aprofundando um pouco o estudo desse texto, percebemos que o principal fruto das tribulações é o restabelecimento da nossa visão espiritual. Nos momentos que antecedem a decisão de Jesus, quando “compeliu” seus discípulos a embarcar e seguir em outra direção, percebemos que esses estavam equivocados ao concordar com a multidão em proclamar Jesus como Rei de Israel. O verbo grego utilizado no texto original – προαγω (PROAGO) – traduz o ato de tirar alguém de um lugar onde tinha a sua visão ocultada.

No evangelho de João vemos nessa mesma passagem que, depois da multiplicação do pão, a multidão eufórica queria proclamar Jesus como Rei dos Judeus: “Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte” (João 6.15). Em lugar de ajudar o Mestre a dissuadir o povo, seus discípulos estavam mais dispostos a fazer prevalecer os seus próprios desejos. Jesus então os obriga a embarcar e se fazer ao mar, para enfrentar uma terrível tempestade.

Vemos, ao final, que o propósito de Deus foi plenamente cumprido. Os discípulos aprenderam que as aflições e perplexidades surgem na vida quando, a partir de motivos egoístas e tolos, nos opomos à vontade de Cristo Jesus. Eles entenderam, afinal, que agir contrariamente à sua vontade, em qualquer tempo e situação, logo se transforma em uma grande angústia. Foi nesse momento desesperador que eles puderam experimentar o divino benefício do cuidado de Deus, em nos fazer passar por TEMPESTADES DO BEM.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

DEUS NOS DÁ A VITÓRIA LUTANDO EM NÓS!

“Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora para o combate, tanto para sair a ele como para voltar. Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o Senhor, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu.”
(Josué 14.11-12)

A experiência mostra que existem pessoas diferenciadas em cada geração. Apesar de inseridas no mesmo contexto que seus contemporâneos, conseguem fazer a diferença. Essas pessoas são verdadeiros exemplos de que podemos vencer qualquer desafio quando confiamos nas promessas de Deus.

No texto de hoje ouvimos de Calebe, um personagem bíblico que pela sua determinação nos inspira um interesse especial. Este homem não permitiu que os seus sonhos envelhecessem juntamente com os seus ossos. Pelo contrário, aos 85 anos mostrava ainda um vigor surpreendente!

O segredo para o manter firme em seus propósitos pode ser deduzido do próprio texto: alguém que estava resolvido em relação ao passado, dispunha de muita determinação no presente, e uma coragem suficiente para enfrentar os desafios futuros.

Não vemos nele remorso pela desobediência dos seus pares, que levou o povo a peregrinar 40 anos no deserto, retardando a benção que Deus tinha prometido: “Porém o meu servo Calebe, visto que nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar a terra que espiou, e a sua descendência a possuirá” (Números 14.24). Pelo contrário, o que vemos nele é um coração grato ao Senhor por tê-lo preservado com vida para tomar posse da sua herança.

O exemplo de alguém aos 85 anos ter um espírito tão forte até hoje impressiona. É como se o tempo tivesse parado durante a trajetória árida do deserto. Ao contrário dos que morreram e foram sepultados no deserto, ele se manteve vivo, com a mesma disposição de seus 40 anos de idade. A força do tempo não foi capaz de vencê-lo, pois sua força interior estava firmada no Deus da promessa!

Vemos em Calebe um exemplo de coragem impressionante para enfrentar os desafios do futuro. Ele tem consciência dos gigantes, mas diz: "o Senhor, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu" (v. 12). Ele está certo que o mesmo Deus que o preservou até aquele momento é quem vai dar a sua vitória. Mas sabe que é preciso lutar, pois DEUS NOS DÁ A VITÓRIA LUTANDO EM NÓS!


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

INTIMIDADE COM DEUS

“Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de teus filhos. Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles.”
(Salmo 73.15-17)


Em momentos de crise nos tornamos mais frágeis e passíveis de alimentar sentimentos de revolta, que certamente tornarão o nosso sofrimento ainda maior. Podemos, assim, olhando para aqueles afortunados que não temem a Deus, concluir equivocadamente que a vida deles é melhor do que a nossa.

É exatamente esse sentimento que tira a paz do salmista acima, em sua crise pessoal. Ao olhar para os ímpios, ele conclui que esses aparentemente tinham uma vida mais agradável e fácil do que a sua, como homem justo. Essa experiência triste do salmista nos ensina algumas lições úteis para enfrentar momentos difíceis como o dele.

Embora as dúvidas façam parte da nossa humanidade, devemos ter sabedoria para discernir com quem compartilhar as nossas angústias. O salmista, sem compreender o seu sofrimento, é tentado a falar de suas aflições. Mas, ao refletir e constatar que o seu testemunho não contribuiria para as gerações seguintes, resolve então não mais compartilhar a sua ansiedade.

A prosperidade do ímpio pode ser, ou não, breve e incerta, mas não nos cabe julgar e nem falar sobre isso, é soberania de Deus! Inicialmente foi difícil para o salmista compreender como podiam aqueles que não temiam a Deus terem sua vida aparentemente melhor do que a dele. Essa ansiedade perdurou até que ele entrou no Santuário do Senhor.

Ao ter contato com as Sagradas Escrituras, ele enfim compreende que os ímpios eram dignos de misericórdia, e não da sua angústia: Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus” (Romanos 2.5). Quando não somos precipitados, buscamos a Palavra e confessamos nossas ansiedades diante de Jesus Cristo – o Filho de Deus – sentimos uma paz imensa no coração, que só têm aqueles que alcançam INTIMIDADE COM DEUS.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quinta-feira, 2 de julho de 2015

MAIS DO QUE UM SIMPLES GESTO

“Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças.”
(Colossenses 2.6-7)

Não é necessário realizar uma pesquisa mais aprofundada para constatar que muitas pessoas, autodenominadas cristãs, não levam a sério o seu relacionamento com o Cristo que professam. Na realidade, é muito possível que a maioria não tenha ultrapassado o ato de “aceitar” Jesus com simples palavras, no momento da sua “conversão”. Mas nós sabemos que só isso não basta, não é suficiente para produzir os frutos que demonstram a experiência íntima de um relacionamento pessoal com Deus, em Cristo Jesus.

Nesses casos, o problema começa já no início da pretensa caminhada. O termo “aceitar” Jesus, como utilizado por muitas igrejas, não é o que melhor define o ato da conversão à doutrina cristã. A palavra “receber”, utilizada por Paulo no versículo em evidência, procede da palavra grega παραλαμβάνω (transliterado como paralambano), que significa: “tomar a, levar consigo, associá-lo consigo”. Portanto, todo aquele que é alcançado por Jesus, muito mais do que apenas “aceitar”, deve estar bem consciente da sua nova condição de submissão a Cristo.  

O apóstolo Paulo já havia tido uma grande decepção anteriormente, ao perceber como algumas pessoas “convertidas” passavam a viver um evangelho diferente daquele ensinado por Jesus. Na sua mente ainda pairava a lembrança dos Gálatas, que haviam se afastado da graça, passando rapidamente “para outro evangelho” (Gálatas 1:6). Assim, ele exorta os irmãos de Colossos, após receberem a Cristo Jesus como o Senhor, para que vivessem como tal.

Infelizmente a nossa realidade atual não é diferente daquele tempo. Para muitos, ainda hoje, a conversão não passa de um ato da vontade pessoal, do simples levantar de mãos. Mais do que nunca, precisamos da exortação de Paulo em nossa igreja. Suas palavras nos desafiam a viver uma vida com Jesus, enraizada nele, construída nele. Para crescer na graça de Deus, em Cristo Jesus, é preciso muito MAIS DO QUE UM SIMPLES GESTO.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quarta-feira, 17 de junho de 2015

AMOR E OBEDIÊNCIA

“Guardai, pois, todos os mandamentos que hoje vos ordeno, para que sejais fortes, e entreis, e possuais a terra para onde vos dirigis; para que prolongueis os dias na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a vossos pais e à sua descendência, terra que mana leite e mel. (...) Se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar o Senhor, vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma, darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho, e o vosso azeite.”
(Deuteronômio 11:8-9, 13-14)

A cada etapa da realização do projeto de Deus em nossas vidas devemos aproveitar para refletir sobre como anda o nosso relacionamento com Ele. Para dar um novo passo nessa caminhada é importante estarmos conscientes do que é preciso fazer, se pretendemos vencer os desafios que certamente virão pela frente.

No texto em referência, Moisés apresenta resumidamente os princípios que orientam aqueles que têm uma aliança com Deus. O relacionamento do crente com o Senhor é caracterizado basicamente por dois aspectos: amor e obediência. Aqueles que amam e obedecem a Deus certamente desfrutarão das suas bênçãos.

Munidos desses princípios básicos podemos seguir sempre em segurança, ainda que haja caminhos desconhecidos à nossa frente: “mas a terra que passais a possuir é terra de montes e de vales: da chuva dos céus beberão as águas; terra de que cuida o Senhor vosso Deus; os olhos do Senhor, vosso, Deus estão sobre ela continuamente, desde o princípio até ao fim do ano.” (versículos 11 e 12).  

Sabendo, portanto, que pela frente não teremos só caminhos planos, mas também uma “terra de montes e de vales”, devemos seguir em frente confiando no Senhor. Os anos, assim, passarão com um misto de “facilidades e dificuldades” (ou “montes e vales”), mas podemos descansar, se firmados no amor e na obediência a Deus.  Que a nossa querida IGREJA PRESBITERIANA VILA TELEBRASÍLIA, que completa 14 anos de existência como congregação cristã, mantenha sempre o seu relacionamento com Deus pautado em AMOR E OBEDIÊNCIA.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO