“Entretanto, o barco já estava longe, a muitos
estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com
eles, andando por sobre o mar.”
(Mateus 14.24-25)
Muitas pessoas sofrem em decorrência
clara da desobediência a Deus. A denominada lei
da semeadura é implacável, sendo sempre aplicada no seu devido tempo, custe
o que custar: “Não vos enganeis: de Deus não
se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7). Por outro lado, devemos admitir que as lutas não são exclusividade dos
desobedientes. Podemos estar passando por elas mesmo quando seguimos as
orientações do Senhor.
Os discípulos tinham recebido
instruções do Mestre para passar ao outro lado do mar: “Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante
dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões” (Mateus 14.22). Ao obedecerem esta
ordem encontram pela frente um mar agitado, causando-lhes muita preocupação.
Considerando o momento em que Jesus os deixou “Em caindo a tarde (...)” (v. 23b), até a sua chegada “Na quarta vigília da noite (...)” (v. 25a)
(a quarta vígilia era o período que se extendia de três às seis da manhã), é
possível estimar que os discípulos tenham passado pelo menos nove horas na
água, tentando fazer uma viagem que em situação normal duraria no máximo uma
hora.
A inevitável pergunta que surge em
circunstâncias como essas é clara: como isso pode acontecer com alguém que está
servindo a Deus? Tudo o que eles estavam fazendo ali era o que o próprio Cristo
lhes havia ordenado. No entanto encontram pela frente um mar agitado e Jesus
não aparecia para ajudá-los. O cansaço logo toma conta, pois afinal o esforço é
grande para vencer as dificuldades, e a demora do socorro leva à exaustão física
emocional.
Para entender essas situações devemos
compreender, definitivamente, que os verdadeiros caminhos de Deus não são
necessariamente os nossos caminhos. O Senhor, por certo, queria ensinar algo e,
assim, recusou intervir na situação. A intervenção imediata em alguns problemas
pode não ser o melhor remédio. Algumas vezes precisamos ser treinados em meio a
crises, pois são exercícios necessários para nos tornarmos melhores e mais
fortes.
Por outro lado precisamos aprender o
quanto somos limitados diante de certas situações, não importa qual seja. Mas na
verdade Deus nos socorrerá na hora certa, tirando proveito de todas as circunstâncias
para nos ensinar os seus caminhos. O apóstolo Paulo afirmou que “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8.28).
A lição de Jesus foi clara: mesmo com
vento contrário e o barco atingido por ondas, eles não deveriam voltar atrás. Assim,
apesar das dificuldades, eles perseveram em cumprir a ordem de Jesus, pois há
sempre um alvo no “(...) outro lado (...)” (v. 22) das travessias adversas. Mesmo
com as dificuldades no cumprimento daquela ordem, não deviam permitir que lhes
tirassem a vontade de lutar. Se algum dia você pensar que todos te abandonaram,
isso pode ser possível; mas você não estará absolutamente sozinho, pois DEUS
NUNCA SE ESQUECE DE VOCÊ. Ele sempre te observa do alto e, na hora certa, chega
com o socorro.