sexta-feira, 14 de março de 2014

BATALHAS SOLITÁRIAS DA VIDA

“Respondeu Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; quando veio um leão ou um urso e tomou um cordeiro do rebanho, eu saí após ele, e o feri, e livrei o cordeiro da sua boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o feri, e o matei.”
(1 Samuel 17.34-35)

Normalmente temos uma visão negativa das lutas que passamos na vida, principalmente aquelas sem testemunhas, ou seja, as que travamos na solidão do “deserto”. No entanto, são essas lutas solitárias da nossa história que melhor nos preparam para as conquistas públicas que teremos adiante.

O texto bíblico em destaque nos chama atenção para esse aspecto da vida. Davi, ao decidir enfrentar o desafio de lutar contra o gigante Golias, em um combate público, primeiramente convenceu o rei Saul de que seria capaz de tamanha proeza, baseando seu argumento nas lutas pessoais que já havia travado e vencido solitariamente.

Ele já havia sido vitorioso antes em dois combates de vida ou morte: um contra um leão, e outro contra um urso que ameaçavam suas ovelhas. Em ambos os casos ele não fugiu das feras, mesmo sem haver nenhum publico presente. Nesses combates solitários havia apenas Davi, o adversário e, com toda certeza, Deus, materializado na sua fé e confiança inabaláveis.

No argumento de Davi encontramos um importante princípio a ser considerado. Antes de enfrentar a sua luta decisiva, perante dois exércitos que aguardavam um desfecho favorável, ele já havia vencido batalhas significativas em completa solidão. Em síntese, o desafio proposto para vir a público não era nenhuma novidade na sua vida, pois ele já havia sido vitorioso em outros tão difíceis como esse, ocorridos na mais completa solidão de um pastor de ovelhas.

Enfim, as lutas enfrentadas (e vencidas) nos momentos de solidão da vida são como um treinamento para as vitórias que teremos nos desafios públicos. O temor do fracasso em batalhas da vida privada traduz uma dificuldade em travar os combates em público. Normalmente os vitoriosos publicamente na vida são aqueles que, anteriormente, venceram suas próprias BATALHAS SOLITÁRIAS DA VIDA.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

DOCE E AMARGO

“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!”
(Isaías 5.20)

Podemos perceber hoje, em nossa sociedade pós-moderna, uma tentativa deliberada de confundir a cabeça das pessoas, principalmente por parte de alguns meios de comunicação de massa. Um bom exemplo dessa tendência aconteceu recentemente na telenovela “Amor a Vida”, da dramaturgia produzida pela Rede Globo de televisão.

No contexto que estamos abordando, o personagem Félix da novela deve ser visto como uma pessoa boa ou má? Afinal de contas, como pode alguém que na maior parte da trama maquina o mal, inclusive lançando uma criança recém-nascida no lixo, acabar como referência a ser imitada? Mas, infelizmente, essa foi a mensagem subliminar passada.

A tentativa de substituir os padrões instituídos por Deus, por valores de uma geração sem Deus, vem se tornando cada vez mais uma constante nos dias de hoje. De acordo com o texto bíblico em destaque, essa inversão de valores - somada à ganância, hedonismo, rebelião, imoralidade e injustiça que permeiam a mídia atualmente - compõe o quadro de coisas abomináveis segundo a Bíblia, conforme preconizam os “Ais”, de Isaías 5.8-23.

Essa indefinição de valores, produzida por uma sociedade sem Deus, confunde as pessoas, invertendo os padrões da tradição judaico-cristã. Ao construir mentes cauterizadas pela massificação dessas informações equivocadas, o pecado acaba tornando-se uma forma aceitável de vida.

No texto em destaque, o profeta mostra que esse problema pode afetar tanto a moralidade pública (“luz e trevas”, que são questões comuns a todos) como a moralidade privada (“amargo e doce”, que são nuances inerentes ao gosto pessoal).

Sem ter seus valores bem definidos, a própria sociedade se torna vítima de suas escolhas e práticas equivocadas. O padrão de família é alterado, assim como do casamento, da criação de filhos e assim por diante.

Ao final, todos acabam pagando um alto preço por isso. A responsabilidade maior, porém, será daqueles influenciados por essa cosmovisão distorcida: “Ai dos que...”, como decreta o profeta Isaías! Acompanhando os telejornais percebemos como as consequências de tudo isso são alarmantes, fruto de uma sociedade que não sabe mais distinguir entre DOCE E AMARGO.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

PRISIONEIROS DA INFÂNCIA ESPIRITUAL

“Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.”
(Hebreus 5.12)

O crescimento é algo normal e intrínseco à natureza. O pai não precisa dizer a cada dia: “filho, cresça mais um centímetro!”. Não, isso não é necessário. Estando com saúde, os filhos crescerão a cada dia, quer queiram, quer não. Da mesma forma, o crescimento espiritual deve ocorrer naturalmente com o passar do tempo na vida cristã.

Mas, infelizmente, alguns irmãos não crescem na sua fé, ficando presos no que podemos chamar de infância espiritual. Existem alguns que, apesar do tempo de permanência em uma igreja, convivendo com outros irmãos em franco crescimento cristão, ainda permanecem crianças na fé. E o mais grave: muitos, como crianças mimadas, estão sempre querendo mais para si mesmos, quando já poderiam estar se dedicando no serviço ao próximo e na realização de suas próprias necessidades espirituais.

Essas “crianças grandes” são bem caracterizadas como aquelas que ficam apáticas ao conhecimento da Palavra. Normalmente não fazem questão de alcançar maior sabedoria, que careça um pouco mais de esforço e dedicação para ser apreendida. Como crianças, gostam de cantar, pular, dançar e se divertir, junto com outras crianças. Tentam, assim, dar a impressão de um conteúdo mais sólido à sua vida cristã. Mas, com sua hipocrisia, na maioria das vezes apenas transformam algo saudável numa atividade desagradável aos olhos de Deus.

Essas “crianças grandes” nunca crescerão no comportamento e na estatura espiritual. Como crianças, só querem receber a “graça” que acham ser merecedoras. Por isso, escolhem igrejas que prometem tudo que venha a satisfazer de imediato, principalmente sob o ponto de vista material. Para essas “crianças”, o lugar ideal não é aquele que elas tenham que servir ao Senhor e ao próximo, mas aquele que lhes prometa maior retorno imediato. Também como as crianças, ficam facilmente “emburradas”, ao terem contrariadas as suas expectativas de prazer e reconhecimento.

Assim, como Ministro da Palavra, tal qual o autor da carta aos hebreus, resta desafiar a nossa comunidade a buscar cada um a sua maturidade espiritual. Do contrário, teremos que lidar com uma Igreja que nunca sairá da sua infância espiritual, convivendo em um mundo muito perigoso, pois jaz no Maligno. Com certeza, um de nossos maiores desafios hoje é sensibilizar e resgatar os irmãos que ainda são PRISIONEIROS DA INFÂNCIA ESPIRITUAL.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

VALE DA SOMBRA DA MORTE

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.”
(Salmos 23.4)

Vivemos hoje uma sensação de insegurança geral, provocada por assaltos, assassinatos e ainda agora manifestações descontroladas de baderneiros, onde o quebra-quebra com violência desferida contra os espaços públicos e privados vem tomando conta da população. Há em nossos corações a nítida impressão de que não existe mais um lugar seguro para ficar.

Andar pelo “vale da sombra da morte” já não é mais uma realidade distante, mas pode significar a simples experiência de estar na rua, num banco, num shopping ou em qualquer outro lugar do dia-a-dia. Os espaços que antes eram considerados seguros tornaram-se vulneráveis no contexto da conturbação social em que vivemos.

Mas, afinal, o que poderia nos dar segurança psicológica diante dessa realidade, onde a possibilidade do perigo é real, como expressado pelo salmista em “Ainda que eu ande (...)”? Ou seja, aonde buscar segurança, ainda que tenhamos que passar por tais situações hoje, quando podemos ter a falsa sensação de que coisas ruins só acontecem com os outros? Essa resposta é obvia para o cristão: só em Deus temos total segurança!

A segurança em que o salmista descansa não está amparada na possibilidade de que as coisas venham a melhorar, e muito menos na ideia de que podemos viver sem complicações ou dificuldades que nos alcancem. A sua segurança está na certeza inabalável de que o Senhor é o seu Grande Pastor, e assim cuidará dele em toda e qualquer situação.

Essa Palavra soa como um consolo para o crente, em sua experiência com o cuidado do Grande Pastor, o Redentor e Preservador de todas as coisas. Não fomos deixados à própria sorte no imenso universo em que vivemos. Deus sempre cuida sempre dos seus. Aleluia!

O mundo caído nunca poderá nos dar os “pastos verdejantes" nem "as águas de descanso" (v.2) de que a nossa alma carece. Com pastos quase secos e águas que não saciam a sede, esse mundo segue o seu caminho de violência. Para alcançar a paz, é necessário seguir o Supremo Pastor, pois só ele nos conduz nessa condição. Os que assim fazem estarão seguros, mesmo quando tiverem que passar por algum VALE DA SOMBRA DA MORTE.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

NÃO FOSSE O SENHOR DEUS...

“Se não fora o auxílio do Senhor, já a minha alma estaria na região do silêncio.”
(Salmos 94.17)

Após mais um ano de muitas lutas e tantas vitórias, é possível fazer um balanço de tudo o que se passou. Ao mesmo tempo em que idealizamos os nossos projetos para o ano que se aproxima, devemos refletir sobre o papel que atribuímos a Deus em nossas vidas no ano que se encerra. Se esse balanço for feito a partir de uma reflexão sincera, tal como o salmista no texto em evidência, vamos certamente concluir que, não fosse o auxílio do Senhor, tudo teria sido muito diferente.

Não fosse o Senhor, como enfrentar as enfermidades persistentes, sem saber quando virá uma cura definitiva? Nessas horas de incertezas, o auxílio de Deus nos mantém firme na posição, em decorrência da confiança absoluta nas suas promessas de vitória.

Não fosse o Senhor, em seu auxílio constante na preparação de cada mensagem pastoral, cada planejamento de eventos e cada reunião de coordenação, como ter uma Igreja cada vez mais vibrante, acolhedora e parecida com Jesus? Reconhecemos claramente a sua mão, agindo poderosamente, em auxílio providencial a cada gesto em todas as ações que empreendemos no ano que termina.

Não fosse o Senhor, nos momentos de saudades da família, que mora tão distante, como manter o espírito alegre, em comunhão fraternal, longe da presença dos entes queridos? Em tudo isso, a mão invisível de Deus foi suficiente e poderosa, mantendo o nosso foco firme todo o tempo no cumprimento da nossa missão.

Enfim, temos que ser sinceros em reconhecer o auxílio de Deus em nossa vida, suprindo tudo aquilo do que precisamos no ano que se passou. Temos a certeza de que, NÃO FOSSE O SENHOR DEUS, a nossa história teria sido muito diferente.

Desejamos a todos um Ano Novo pleno da presença abençoadora do Senhor, a fim de que possamos seguir adiante na sua obra em 2014. Amém!


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

NINGUÉM ESCAPA AO SEU ALCANCE

"Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”
(Lucas 2.8-11)

Inadvertidamente, detendo-se naquilo que lhe é secundário, às vezes é comum não dar a importância devida à mensagem principal de um texto. Alguns intérpretes, por exemplo, prendem-se ao fato do nascimento de Jesus ter ocorrido no auge do inverno, estação na qual os pastores não teriam saído à noite com seus rebanhos. No entanto, certamente esse não é o objeto principal desse texto. Ao ler com atenção o relato do nascimento do Cristo, vemos que o interesse do escritor é mostrar como a vinda de Jesus alcançaria toda a humanidade.

Realmente, o fato mais extraordinário da História afetou, desde logo, a tudo e a todos, como por exemplo: a política de César, que parecia inabalável em sua estrutura; o ministério dos anjos, que vieram a terra para prestar seu louvor; e as atividades dos homens comuns, como os pastores, que se encontravam nos campos a cuidar de seus rebanhos. Sobre a política controladora de César, vale ressaltar o pequeno relato contido no versículo inicial desse capítulo: Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se.” Mas essa também não seria a principal notícia daquele dia singular. Outros aspectos do contexto ressaltam a mensagem que seria definitivamente a mais importante.

Em lugar do trono de César, uma manjedoura surge no cenário, e nela repousa tranquilamente o verdadeiro Rei. A simplicidade daquele cenário contrasta com os cânticos de louvor e as manifestações de alegria que ressoaram nas colinas de Belém.  Longe do olhar das multidões, uma celebração celestial estava ocorrendo. Como que incapaz de conter a boa nova, um anjo brada: "Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura” (vv. 10-12).

Em vez de poderosos do reino da terra, entram em cena pastores de ovelhas. A grande notícia foi primeiramente dada a pessoas simples, e não a sacerdotes ou príncipes, ou muito menos a escribas e fariseus. O anjo proclamou: "Não temais; eis aqui vos trago boa-nova (...)” (v. 10), e eles não duvidaram! Indo a Belém, lá encontraram tudo exatamente como lhes tinha sido dito. Pela fé, receberam a rica recompensa e o especialíssimo privilégio de ver o Messias. Como muitos outros até hoje, os poderosos da época, ao contrário dos pastores, rejeitaram a vinda do Cristo Jesus. Mas isso não significa que não tenham sido (e ainda hoje sejam) afetados por seu nascimento, pois NINGUÉM ESCAPA AO SEU ALCANCE.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

FIEL ESCUDEIRO

“Sucedeu que, um dia, disse Jônatas, filho de Saul, ao seu jovem escudeiro: Vem, passemos à guarnição dos filisteus, que está do outro lado. Porém não o fez saber a seu pai.”
(1 Samuel 14.1)

Mais um fim de ano se aproxima rapidamente, chegando aquele momento de saber com quantos podemos realmente contar nas batalhas do ano vindouro.  Na maioria das vezes, os desafios são inversamente proporcionais ao número de pessoas efetivamente comprometidas com a Igreja. Essa realidade, no entanto, não impede que a obra de Deus continue crescendo mais e mais, para honra e glória do seu Reino.

No texto de hoje não há apenas os dois personagens descritos - Jônatas e o seu escudeiro - mas também, e principalmente, o real protagonista de todo a História: o Senhor dos Exércitos! No contexto da situação descrita, um grande desafio: os filisteus. Enquanto esse povo detinha o monopólio da fabricação de espadas, os israelitas já não dispunham mais de armas para enfrentar o inimigo. Ameaçado, Israel está aparentemente encurralado, sem saída. Em meio ao impasse, Jônatas toma a iniciativa de atacar, levando consigo não apenas a espada e seu fiel escudeiro, mas também a firme convicção de que Deus lhe daria a vitória.

A identidade do herói escudeiro não é revelada, mas podemos conhecê-lo um pouco mais pelo papel que sua classe desempenhava nas batalhas. Geralmente eram jovens, inexperientes em matéria de combate, cuja principal responsabilidade era transportar as armas do guerreiro a quem estavam às ordens. A tarefa de apoio como coadjuvante nas batalhas acabava sendo, por vezes, fundamental para o sucesso nas campanhas. Essa participação, com humildade, nos ensina ao menos duas lições significativas, muito importantes para aqueles que querem alcançar vitórias ao lado do Senhor.

Primeiro: devemos entender como escudeiro todo aquele que, humildemente, está disposto a fazer qualquer coisa que lhe seja atribuído. Sua fidelidade incondicional é o que prevalece na hora da convocação. Ele atende ao chamado, mesmo que as perspectivas sejam desfavoráveis no momento.  Ele não tem nome, nem reconhecimento, nem fama... Apenas o fervoroso e incondicional desejo de servir ao seu senhor.

Aprendemos ainda que é sempre possível realizar grandes coisas na vida, quando a ação de Deus trabalha em proveito do servo fiel. Convencido de que o Senhor estava com ele, Jônatas entrou no acampamento dos filisteus, acompanhado apenas do seu escudeiro, e obteve uma significativa vitória. Embora possa ser difícil nos dias atuais contar com muitas pessoas, podemos ter a convicção, como Jônatas, de que haverá sempre em Cristo Jesus um FIEL ESCUDEIRO em nosso favor. Ele e somente ele nos garante a certeza da vitória nas batalhas da vida, sob toda e qualquer circunstância adversa.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO