sexta-feira, 12 de julho de 2013

DEUS É A CONSOLAÇÃO DOS ABATIDOS

“Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito.”
(2 Coríntios 7.6)

Todos os relacionamentos podem sofrer desgastes, e então a dor é inevitável. Sofremos nos dois sentidos: quando magoamos e quando somos magoados. Depois de uma crise de relacionamento faz-se necessária uma oportunidade para a reconciliação. Só assim é possível restabelecer a alegria no convívio. No contexto citado, Paulo retoma 2 Coríntios 6.13 tornando a pedir: “Dai-nos espaço”! Espaço em vossos corações, e ele traduz isso dizendo: Acolhei-nos em vosso coração” (2 Coríntios 7:2a).

O apelo foi para que houvesse reconciliação entre aqueles irmãos, que eles voltassem ao companheirismo de antes, particularmente em função da sua visita, que se aproximava. Porém, para que isso fosse possível, ele precisava de “espaço”. Na primeira parte de sua carta Paulo se refere às aflições que vinha passando desde que saíra de Éfeso. Aquela situação entre ele e a Igreja em Corinto lhe tirava a paz.

Qual foi, então, a solução para o problema? A chegada de um irmão! Que maravilha! Depois de semanas de aflição, finalmente Tito chegou. Por mais atribulados que possamos estar jamais devemos perder a esperança. No momento certo, Deus vai providenciar a solução. Nunca nos esqueçamos disso! O “Tito” pode ser alguém da nossa família, um membro da igreja, um colega de trabalho, um amigo ou até o vizinho, que você nunca o vê. Pode ser aquela pessoa que você jamais imaginou que tivesse algo a oferecer. Mas uma coisa é certa: o “Tito” virá de algum lugar.

Quando Paulo estava sendo passado pelo “espremedor de frutas divino”, abatido tanto emocional como fisicamente, ele recebe uma consolação diretamente da mão de Deus. Observe a sua visão centrada no Senhor, espelhada na expressão Porém Deus...”, que aparece no início do versículo. O nosso Deus é Pai misericordioso, que traz a consolação necessária aos abatidos que nele confiam. Na sua imensa graça, não cabe a nós determinar os seus métodos para o alívio da nossa dor. Ele pode e irá usar quem e o que quiser. Naquela situação não foi Paulo, mas um discípulo dele. As consolações de Deus surgem de onde menos esperamos.

É evidente que a consolação não se limitou a chegada de Tito, mas as notícias que ele trouxe de Corinto. Ou seja, as boas notícias foram uma chave para resolver a aflição de Paulo. Se ele houvesse regressado de Corinto sem novidades, e também deprimido, Paulo não teria recebido nenhuma ajuda decisiva. No entanto, o próprio Tito havia sido alvo das consolações do Senhor: “não somente com a sua chegada, mas também pelo conforto que recebeu de vós” (v.7).  Somente pessoas que são objeto de conforto do Senhor podem, de fato, confortar o próximo. Em momentos de angústia não devemos nos desesperar. O Senhor enviará um “Tito”, e nossa situação de tristeza se converterá em alegria. Por isso a certeza de que DEUS É A CONSOLAÇÃO DOS ABATIDOS.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quarta-feira, 3 de julho de 2013

CHAMADOS PARA SERVIR

“Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço.”
(Atos 6.1-3)

Na medida em que a Igreja cresce novos desafios surgem, exigindo a contrapartida de uma resposta rápida, direta e eficaz na solução dos problemas. Uma desavença entre os membros da Igreja de Jerusalém foi assim sabiamente tratada e resolvida. A solução para o impasse foi selecionar pessoas dispostas e capacitadas para servir a Deus, configurando o fato como a primeira escolha de diáconos (servos) na Bíblia.

Esses homens escolhidos devem ter algumas características para exercer suas funções. A primeira delas é integridade. A reputação do diácono valida o seu trabalho. A comunidade sente paz quando pode recorrer a verdadeiros homens de Deus. A segunda qualidade é piedade. Homens cheios do Espírito Santo percebem a necessidade do próximo, e não hesitam em socorrer. Pelo poder do Espírito Santo, são totalmente livres da tentação da cobiça ao lidarem com o dinheiro que é depositado na Casa do Senhor. A gestão dos recursos financeiros requer esta bênção do Senhor. Por fim, sabedoria. Na Casa de Deus tudo deve ser feito com bom entendimento, muito tato (habilidade) e a mais pura das intenções.

Vemos, no decorrer deste texto bíblico, que sete homens preencheram os requisitos para as novas funções. Foram eles: Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau (v.5). Duas particularidades devem ser destacadas nessa passagem. Primeiramente que Estêvão era, de fato, um homem cheio do Espírito Santo, mostrando que alguns irmãos se destacam em relação a outros, mesmo tendo sido escolhidos pelos mesmos parâmetros. Segundo, que eram todos gregos, demonstrando que devemos reconhecer a capacidade das pessoas independente da sua procedência, e sabemos que isso, principalmente para o judeu, é uma questão complicada.

Amados! As lutas que surgem na medida em que a Igreja cresce não são carnais, mas espirituais. Em todo tempo somos confrontados com o Diabo e seus emissários. O Maligno usa estratégias variadas para afetar a Igreja. No texto de hoje vimos como o murmúrio das viúvas começou a gerar descontentamento dentro da Casa do Senhor. Ora, se o problema é espiritual, a solução deve estar ao encargo de pessoas espiritualizadas. Homens cheios do Espírito Santo neutralizaram o intento de Satanás na ocasião. O serviço é um ótimo antídoto contra as obras do Mal. No dia 9 de julho comemoramos o Dia do Diácono. Aqui então, ficam a nossa singela homenagem e os sinceros cumprimentos aos valorosos irmãos em Cristo Jesus que, pelo poder do Espírito Santo, na graça de Deus, foram CHAMADOS PARA SERVIR.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quarta-feira, 26 de junho de 2013

SUA OBRA NUNCA TERÁ SIDO EM VÃO

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.”
(1 Coríntios 15.58)

No ano de 2001, a IGREJA PRESBITERIANA NACIONAL (IPN), por intermédio da UNIÃO PRESBITERIANA DE ADOLESCENTES (UPA), sob a coordenação do Rev. WALTER PEREIRA DE MELLO, iniciou um trabalho evangelístico na Vila Telebrasília, a cerca de oito quilômetros da sua sede na 906 Sul. Na “Praça da Resistência”, em cima de um caminhão, foram realizadas as primeiras ações de evangelismo público, com participação maciça da criançada da “Vila”.

No dia 30 de junho daquele mesmo ano, com a intensificação das atividades, foi inaugurado um templo em terreno alugado na comunidade. No intuito de aproximar mais as pessoas, foram desenvolvidos então alguns projetos como escolinha de futebol, alfabetização de adultos, aulas de informática e reforço escolar. Sem muito espaço, em pouco tempo o local se tornou pequeno para bem acomodar todos que ali passaram a adorar ao Senhor.

Com a bênção de Deus, no dia 23 de dezembro de 2006, sob a direção do Rev. FÁBIO RIBAS, a congregação foi transferida para um excelente imóvel próprio. No início de 2008 o Rev. FÁBIO foi chamado para um trabalho missionário, e a congregação retornou ao pastoreio do Rev. WALTER.

Em 2010 o Rev. WALTER foi designado para uma missão especial no Haiti, como capelão militar do Exército Brasileiro. Com isso, os trabalhos passaram para a responsabilidade do Rev. GERALDO FERREIRA DA SILVA, até o final daquele ano.

No início de 2011 o Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO assumiu a Congregação, na época ainda como pastor Licenciado. Foi então ativado o gabinete odontológico e feita a parceria para alfabetização de adultos. Com o apoio de lideranças locais, e anuência do conselho da IPN, o projeto evoluiu para sua organização como “igreja local”, a ser em efetivada muito em breve, contando com a inesgotável graça do Senhor.

Como testemunho do cuidado de Deus com a Vila Telebrasília, pessoas comprometidas têm sido enviadas desde então, para auxiliar na vida pastoral da Igreja. Isso confirma a verdade de que, quando nos mantemos firmes e comprometidos, temos certeza de que o trabalho consagrado ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo jamais será em vão.

O texto de hoje é para nos lembrar dessa verdade. O versículo em evidência é a conclusão do exposto nos versículos anteriores daquela passagem bíblica. Iniciando com as cordiais saudações de "meus amados irmãos", o apóstolo Paulo faz exortação àqueles que labutam na edificação da Igreja de Cristo.

Assim vemos, em primeiro lugar, que devemos nos manter firmes na Verdade que aprendemos na Palavra de Deus. Essa firmeza abrange tanto a fé quanto o comportamento exemplar, que caracteriza todos os que seguem fielmente os passos de Jesus.

Em segundo lugar devemos ser inabaláveis. Ou seja, nada e ninguém podem nos fazer desviar do nosso caminho verdadeiro, ou tirar a gloriosa esperança que há em nós. Esta esperança deve ser a âncora da nossa alma (Hebreus 6.19).

Em terceiro lugar devemos ser abundantes na obra do Senhor. A gloriosa esperança deve estimular vigorosamente o zelo, a perseverança e a paciência em todo o trabalho que realizamos para nosso Deus Todo Poderoso.

Meus queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Essa mensagem pastoral é nossa singela homenagem a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram com seu trabalho, e ainda contribuem com suas orações, para edificação da IGREJA PRESBITERIANA VILA TELEBRASÍLIA (IPVT). Tenham a certeza de que a SUA OBRA NUNCA TERÁ SIDO EM VÃO.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quarta-feira, 12 de junho de 2013

BÊNÇÃO NÃO PODE SER COMPRADA

“Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.”
(Atos 8.18-19)

Para compreender o pedido feito por Simão aos apóstolos é necessário, antes de tudo, entender o ambiente à época, assim como as práticas da então igreja primitiva. Foi da vontade de Deus deixar bem evidente a presença do Espírito Santo no mundo, como prometido por Jesus: Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16.7).

Cristo ascendeu aos céus, e a Palavra de Deus foi cumprida. Por essa razão, fenômenos visíveis, e até audíveis, foram associados à presença do Espírito Santo nas pessoas ungidas. Assim, não pairava nenhuma dúvida quanto ao cumprimento da promessa de Jesus. Sinais perceptíveis confirmavam a presença do Espírito Santo, confirmando a comunicação com Deus mediante a imposição de mãos (At 8.17; 19.6).

A imposição das mãos era bastante comum no judaísmo. Acreditava-se que, por meio dessa prática, certas qualidades eram transferidas de uma pessoa para outra. Não devemos pensar, no entanto, que posteriormente ela representaria uma visão materialista da comunicação do Espírito Santo. Mais do que isso, o fato enfatizava o caráter da autoridade dada por Deus aos apóstolos, frente à missão que Jesus lhes havia confiado. Ninguém pode abençoar no Espírito Santo pela imposição de mãos, nem tão pouco receber essa bênção, simplesmente porque a deseja por si mesmo.

Veja como Simão ficou impressionado com os efeitos visíveis da imposição das mãos pelos apóstolos, logo querendo adquirir tal poder por dinheiro. Ainda hoje, esse é um grande perigo para muitos líderes religiosos, que se dizem cristãos: a exaltação do próprio ego. Simão estava mais interessado em seu prestígio pessoal, do que em promover transformação na vida das pessoas.

O que Simão não sabia é que nenhum dom pode ser comprado por dinheiro. Deveria ter entendido que Deus olha o caráter do homem antes de abençoá-lo, e não a sua posição social. Não seria porque ele tinha dinheiro que iria conseguir tudo o que quisesse. Só um homem cheio do Espírito Santo de Deus pode passar a outro a bênção do Espírito Verdadeiro que o inspira. Só uma pessoa necessariamente transformada por Deus, por intermédio de um novo nascimento, é que pode receber o Espírito Santo.

No mundo capitalista em que vivemos hoje, onde os que têm dinheiro imaginam que podem comprar de tudo, inclusive poder sobrenatural, vale essa lição: dinheiro pode comprar muitas coisas, mas a virtude do Espírito Santo é bênção de Deus! E a verdadeira BÊNÇÃO NÃO PODE SER COMPRADA.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

domingo, 2 de junho de 2013

CHAMADOS A DAR EXEMPLO

“Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.”
(Colossenses 4.5-6)

A responsabilidade de bem representar Jesus, o Filho de Deus, com um comportamento exemplar é dever de todo convertido. Hoje, porém, e infelizmente, por vezes nos deparamos com algumas pessoas que, apresentando-se como cristãos, têm o comportamento de quem ainda não teve a sua vida transformada por Cristo. No texto em epígrafe vemos algumas advertências de como devemos interagir com o mundo fora da Igreja.
               
A primeira advertência é quanto ao comportamento em relação àqueles que ainda não aceitaram a salvação em Cristo Jesus. A Bíblia afirma ser a sabedoria mais preciosa do que as joias: Porque melhor é a sabedoria do que joias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela” (Provérbios 8.11). Aqui constatamos uma referência específica para o relacionamento do crente com os de fora da Igreja. Vemos a importância que existe no testemunho do cristão no seio de um mundo descrente. Devemos estar cientes de que não apenas por palavras, mas principalmente pelo exemplo é que vamos atrair as pessoas para ouvirem o Evangelho de Cristo.

A segunda advertência é quanto a aproveitar as oportunidades. O cristão deve ter sua percepção muito aguçada na rotina diária, para não perder as boas oportunidades que surgem a cada momento. Devemos ser como uma águia, que voa sempre observando o ambiente em terra. Na primeira oportunidade ela desce num voou rasante em direção ao seu alvo. A Igreja é um verdadeiro celeiro de vida. Na Casa do Senhor há oportunidades de ensinar, cantar, visitar, trabalhar para o bem da congregação e tantas outras coisas mais! Infelizmente, muitos não enxergam essas oportunidades, deixando de bem servir a Cristo junto aos seus semelhantes.

Concluindo, devemos nos comunicar verbalmente buscando sempre ser graciosos e simpáticos para com o próximo. Para que isso aconteça, é preciso ter atenção e estar preparado quanto ao saberdes como deveis responder a cada um” (v.6b). A expressão sugere que a forma como nos expressamos deve ser adequada à mentalidade, cultura e a intenção embutida nas interações. Isto exige prontidão em santidade por parte do crente.

Nossas palavras refletem a graça de Deus que, por nosso intermédio, pode estar, também, edificando aqueles que nos ouvem. A expressão “temperada com sal” (v.6b) reflete a noção de equilíbrio, de nem mais nem menos. Ou seja, devemos falar o suficiente para a edificação do próximo, como convém àqueles que foram CHAMADOS A DAR EXEMPLO.


Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A DIFÍCIL TAREFA DE LIDAR COM MULTIDÕES


“Depois destas coisas, atravessou Jesus o mar da Galiléia, que é o de Tiberíades. Seguia-o numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que ele fazia na cura dos enfermos. Então, subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos. Ora, a Páscoa, festa dos judeus, estava próxima. Então, Jesus, erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pães para lhes dar a comer?”
(João 6.1-5)

O interesse pessoal parece ser algo nato aos indivíduos. Cada pessoa procura estar onde, de certa forma, receberá maiores benefícios. Diante dessa realidade, podemos concluir que a grande multidão que seguia Jesus estava ali esperando receber algo pessoal (v.2). Vemos aqui, em um contexto mais amplo, que as grandes multidões seguiam a Cristo não porque intencionavam assumir um compromisso de fé com Jesus, mas por interesse próprio.

Contudo, devemos observar que Jesus não deixou de fazer o bem por isso, mesmo que os interesses fossem questionáveis. Essa passagem nos ensina a manter a calma e a paciência quando as pessoas nos rodeiam em busca de algo. A seriedade é o melhor remédio nessa hora. A pressão da multidão não deve tirar a nossa paz, nem impedir que façamos o bem. Vejamos os três testes que os discípulos tiveram que passar junto à multidão que seguia a Jesus.

O primeiro teste foi o de prover alimentação para todos. Ao ser confrontado com a multidão faminta, Filipe imaginou que a questão pudesse ser o dinheiro para comprar tanto alimento (v.7). Mas André encontrou a saída num rapaz, que disponibilizou o seu pequeno almoço. A solução nem sempre está onde imaginamos. Ao enfrentarmos um problema aparentemente sem solução devemos entregá-lo a Jesus, pois Ele sabe sempre o que fazer: Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer” (v.6).

O segundo teste foi afastar-se da multidão. A popularidade de Jesus crescia muito, e os seus discípulos, que haviam participado ativamente na distribuição dos pães, compartilhavam dessa popularidade. A proximidade com Jesus os deixava em uma situação privilegiada. Então, nesse êxtase de glória, Jesus os manda embora, passando da popularidade ao perigo do mar revolto (v.15-21). Jesus sabia que a fama para eles seria mais perigosa do que a tempestade.

O terceiro e último teste foi o de deixar a multidão a refletir (v.22-25). Geralmente se busca ao Senhor para satisfazer carências materiais, e não necessidades espirituais. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes” (v.26). Há uma necessidade maior no relacionamento com Deus, e as pessoas precisam ser alertadas a esse respeito.

Jesus, então, alerta a multidão dizendo que devemos trabalhar não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual só Ele pode nos dar (v.27). Os discípulos tiveram a oportunidade de usufruir dos benefícios da fama, mas optaram por ficar com Jesus, aprendendo na prática A DIFÍCIL TAREFA DE LIDAR COM MULTIDÕES.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

quinta-feira, 2 de maio de 2013

TARDE DEMAIS PARA REMEDIAR


“No dia seguinte, um espírito maligno, da parte de Deus, se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa; e Davi, como nos outros dias, dedilhava a harpa; Saul, porém, trazia na mão uma lança, que arrojou, dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes.”
(1 Samuel 18.10-11)

Se tivessemos que representar o rei Saul, a melhor forma seria com uma lança na mão. Quando lemos a história do primeiro rei de Israel, muitas vezes o encontramos exatamente assim, com uma lança na mão. Ao contrário dele, Davi tem sempre ao alcance das mãos a arma certa para cada situação: uma harpa, um cajado de pastor, uma funda (espécie de estilingue) ou uma espada. Qualquer tarefa que Deus atribuia a ele, Davi a executava com uma arma diferente, apropriada àquela situação específica.

Nossa meditação de hoje recai sobre o homem que quer ter apenas uma arma, um homem com pouca habilidade para lidar com seus sentimentos. No princípio, Saul sente inveja de Davi; em seguida, fica desconfiado, com medo dele; pouco depois sua raiva inunda a alma para, finalmente, tentar tirar a vida de Davi.

Essa imagem merece destaque: enquanto Davi está com uma harpa na mão, em busca de alívio para Saul, este tem na mão uma lança, para matá-lo. Temos aqui o contraste entre a gentileza prestativa daquele que quer fazer o bem, e a brutalidade do perseguidor implacável, tomado de ódio no coração. Davi maneja bem as armas que tem na mão, mas Saul (graças à Deus!) é desajeitado. Enquanto a arma de Davi é inofensiva, a de Saul é mortal!

O texto nos informa que, “(...) como nos outros dias (...)”, Davi tocava sua harpa diante de Saul. Antes do ódio tomar conta da vida do rei, a música de Davi era um remédio para a doença da sua alma. Mas agora que Saul o repugnava de todo o seu coração, a música já não produzia qualquer efeito sobre ele. Devemos ter cuidado para que o ódio não nos domine, tornando ineficaz qualquer remédio que antes surtia efeito. Devemos cuidar para que o rancor não passe a ser o principal alimento da nossa vida.

Pense agora você mesmo, meu irmão, minha irmã, por um breve momento na sua situação atual, no estado da sua alma: existe hoje algum sentimento de raiva em seu coração? Será que esse sentimento já não está se transformando em ódio? Que armas você tem nas mãos para resolver esse problema? Nessa breve reflexão sobre o texto bíblico constatamos que o rei Saul era um homem de uma arma só. Não se deixe tranfornar, como Saul, de modo a perder todas as bênçãos que você já tem, preparadas pelo Senhor para a sua vida!

Por não ter outras habilidades o rei tornou-se um homem reprovável aos olhos de Deus, na voz do profeta: Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; visto que rejeitaste a palavra do Senhor, já ele te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre Israel” (1 Samuel 15.26). O ódio tomou tal proporção na vida do rei Saul que nenhum remédio fazia mais efeito. Foi ele mesmo quem permitiu que a sua loucura chegasse a um estágio irreversível, ao ponto de ser TARDE DEMAIS PARA REMEDIAR.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO