quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A COMPLEXA TAREFA DE EDUCAR PESSOAS


“Então, deixando-o, todos fugiram.”
(Marcos 14.50)

No dia 15 de outubro de 1827, Dom pedro I, Imperador do Brasil, baixou decreto imperial criando o ensino elementar no Brasil. Foi então estabelecido que "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". A partir dessa ideia, inovadora e revolucionária para a sua época, esperava-se um novo rumo para a educação no país. Porém, como todos sabemos, após tantos anos ainda hoje temos problemas estruturais nessa área fundamental para o desenvolvimento humano de uma nação.

Educar pessoas envolve variáveis complexas, exigindo do professor aptidões muito especiais para bem realizar tão sensível tarefa. Os métodos devem ser variados, respeitando as diferenças individuais de cada pessoa. Cada aluno é um universo específico, fruto de suas experiências pessoais, família, igreja, amigos e assim por diante. O educador precisa ser flexível em seus métodos de ensino, mudando-os sempre que achar conveniente para se adaptar às especificidades de cada aluno que lhe é confiado.

Na grande tarefa de educar não há melhor exemplo do que a formação dos discípulos de Jesus Cristo. Se pensarmos em alguém que dedicou toda a sua vida para transformar pessoas, Cristo é o nome. Ele soube aproveitar cada oportunidade que teve e usou todos os recursos disponíveis, como imagens do cotidiano para contar parábolas, ou até usar um barco, à beira da praia, para que a sua voz chegasse melhor à audiência. Seu objetivo? Levar gradualmente seus discípulos a conhecerem as verdades do Reino de Deus. Somando-se a isso, o seu amor e compaixão pelas pessoas foi sem igual. Assim, resultados espetaculares podiam ser esperados de seus seguidores. Porém, no primeiro grande teste a que foram submetidos – a prisão de Jesus – o resultado foi um desastre.

Se o Mestre dos mestres passou por uma situação como essa, o que esperar como simples educadores que somos? Jesus havia dedicado a sua vida em prol daqueles doze homens e, na hora que mais precisou deles, o que acontece? Todos fogem e o deixam sozinho. Sem a presunção de levantar a totalidade dos fatores que levaram a tal atitude, podemos tirar algumas lições desse episódio.

Primeiramente, em termos de educação não é garantido alcançar os resultados que desejamos, pois o processo depende de pessoas. Garantias podem existir em outros processos, quando se lida com coisas inanimadas, mas não quando envolve pessoas. Cada indivíduo carrega em seu íntimo um verdadeiro mar de segredos. É realmente muito difícil conhecer as pessoas como de fato elas são, ou agirão. Não se pode garantir se vão desistir – ou fugir, como no caso – na primeira dificuldade enfrentada. Todo educador precisa estar ciente dessa realidade.

Em segundo lugar, Deus não julga ninguém por situações isoladas. Por certo, um abandono como aquele poderia trazer implicações muito fortes na vida de um mestre, provocando inclusive traumas emocionais irreversíveis. Mas isso não cabe em se tratando do Mestre dos mestres. Deus não mede as pessoas por instantes de fraqueza vividos, mas pela peregrinação de toda uma vida cristã. Aquele episódio foi apenas uma página na vida dos discípulos. O Senhor Jesus continuou a sua jornada como educador de homens, e nunca desiste de nós. Deixou nas mãos dos seus discípulos aquilo que mais ama: o seu rebanho, a sua Igreja. Aqueles foram reprovados em uma prova, mas não na vida devocional, pois Jesus bem sabe avaliar A COMPLEXA TAREFA DE EDUCAR PESSOAS.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAUJO

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

LEMBRANÇAS AMARGAS SÃO LEMBRANÇAS QUE ENSINAM


“Então, sacrificarás como oferta de Páscoa ao SENHOR, teu Deus, do rebanho e do gado, no lugar que o SENHOR escolher para ali fazer habitar o seu nome.
Nela, não comerás levedado; sete dias, nela, comerás pães asmos, pão de aflição (porquanto, apressadamente, saíste da terra do Egito), para que te lembres, todos os dias da tua vida, do dia em que saíste da terra do Egito.”
(Deuteronômio 16.2-3)

Na medida em que os anos passam, experiências boas e negativas se somam à história de nossa existência. A maioria das pessoas, se pudesse, guardaria apenas as suas boas lembranças, esquecendo-se completamente daquelas que não lhe são nada agradáveis. Por certo, todos jogariam fora tudo o que possa lembrar os momentos mais difíceis. O texto de hoje nos leva a meditar em outra dimensão, mostrando que o próprio Deus não tem interesse em apagar da nossa memória as lembranças amargas da vida. Ao contrário, o SENHOR utiliza-se dessas lembranças ruins como elementos importantes para o nosso crescimento espiritual. No intuito de marcar na alma os tempos difíceis que o seu povo passou no Egito, Deus institui a Páscoa, a fim de jamais esquecerem a sua Graça, passando isso a ser uma tradição por todos os demais dias das suas vidas.

O povo de Deus deveria manter sempre na lembrança a sua condição anterior à libertação do Egito: agora eram livres, mas antes foram escravos. Essa mudança extraordinária não foi conquistada por mérito próprio, mas sim dada graciosamente por Deus. Não fosse a bondade de Deus, que ouviu seus clamores, jamais teriam saído da escravidão. É certo que não mais teriam a estrutura que uma cidade organizada dispõe, pois havia um deserto a ser percorrido pela frente, até à terra prometida. Mas a grande diferença estava na condição de que não eram mais escravos, mas povo livre pelo poder de Deus. Deveriam considerar que o estado de penúria por que passavam agora não era o fim, e um recomeço. Afinal saíram do Egito praticamente sem nada, mas o seu bem mais precioso estava com eles: o próprio Deus, que prometera, no tempo certo, fazer deles uma grande nação.

Mas poderíamos questionar se, ainda hoje, existe realmente algum benefício em lembrar as experiências dolorosas do nosso passado. Saibamos de uma coisa: se há tantas pessoas ingratas é porque fazem de tudo para negar o seu passado. Assim, elas buscam esquecer suas lutas e se tornam orgulhosas em si mesmas. Reclamam de tudo – da chuva (e da falta dela), da comida, da igreja, dos líderes, dos próprios irmãos que Deus tão graciosamente coloca ao seu lado... Outros reclamam do seu trabalho, enquanto muitos gostariam de ter a oportunidade de ter um; mães reclamam dos filhos, enquanto muitas mulheres não realizam o sonho de ser mãe. Quando esquecemos a nossa verdadeira condição espiritual, nosso coração se torna ingrato e cultivamos uma vida cheia de reclamações. Só a gratidão gera o reconhecimento pelas experiências vivenciadas. Para ser grato, porém, é preciso estar disposto a lembrar de que a nossa condição hoje poderia ser muito pior.

Como Igreja, nunca podemos esquecer o sacrifício que o Senhor Jesus já fez por nós. Devemos lembrar que, por um ato do amor incondicional de Deus, já não somos mais escravos do pecado, nem do mundo. Essa liberdade, porém, não foi conquistada por nossos próprios méritos, mas nos foi dada graciosamente. Saibamos entender que Deus utiliza traumas do passado em nosso crescimento espiritual. Devemos aceitar que as LEMBRANÇAS AMARGAS SÃO LEMBRANÇAS QUE ENSINAM a desenvolver em nós o dom da gratidão, tão necessário para termos uma vida melhor.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAUJO

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A CHAVE PARA UMA VIDA VITORIOSA


“Quem dera que eles tivessem tal coração, que me temessem e guardassem em todo o tempo todos os meus mandamentos, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!”
(Deuteronômio 5.29)

A revelação da vontade de Deus na Bíblia é a chave preciosa para a nossa felicidade. A manifestação da sua vontade é sempre para o nosso próprio bem. Eis a razão pela qual devemos ficar atentos à sua Palavra.

Encontramos no versículo acima uma das mais emocionantes passagens do Livro de Deuteronômio. Podemos, nesse texto, sentir exatamente aquilo que está no coração do próprio Deus, expressão clara da sua vontade para o nosso bem. Seu desejo é que nosso relacionamento com Ele não seja obrigatório quando diz: "Quem dera que eles tivessem tal coração, que me temessem e guardassem (...)”; e também que seja contínuo, "(...) em todo o tempo todos os meus mandamentos (...)”. Finalmente que possa ser uma benção duradora para todas as gerações, “(...) para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!”.

Tudo é muito exato nessa passagem, quanto ao que precisamos para uma vida bem sucedida. Quando mantemos a obediência fiel à Lei de Deus asseguramos o nosso bem-estar. Esse estado de espírito abençoado não é algo provisório, mas permanente e duradouro, trazendo tranquilidade não só individualmente, mas também para toda a nossa família. Qual, porém, é a dificuldade em cumprir esse ideal? A chave do desafio está logo ao início do versículo: por meio de uma obediência voluntária e prosseguindo em obediência continuada.

A falta de disposição prévia para cumprir a Lei de Deus constitui o verdadeiro pecado do homem. Deus sabe que, como humanos, somos incapazes de seguir fielmente as suas ordenanças, mas espera de nós a voluntária vontade para tal. É, portanto, desse pecado – da deslealdade – que os homens são chamados a se arrepender: “Portanto, eu vos julgarei, a cada um segundo os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniqüidade não vos servirá de tropeço” (Ezequiel 18.30).

Deus, em seu infinito e misericordioso amor, oferece ao transgressor da sua Lei, se arrependido, gracioso perdão, permitindo a continuidade dessa benção quando diz por meio do apóstolo de Jesus – “Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (Atos 2.38-39).

Ao sermos perdoados recebemos nova vida. O poder do Espírito Santo reestabelece e restaura a nossa natureza desorganizada pelo pecado. É a partir dessa nova vida que vamos desfrutar das bênçãos prometidas nessa passagem. Somos vitoriosos não apenas por nossas práticas religiosas, mas principalmente porque fomos transformados por Deus. Portanto, precisamos ser humildes, tomar consciência das nossas limitações e suplicar a sua graça. No mais, é seguir ​​em obediência voluntária e contínua, sob a força de Cristo, que cancela toda a culpa do passado, criando uma nova vida que agora tem A CHAVE PARA UMA VIDA VITORIOSA.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAUJO

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

DEUS QUE PERDOA, RESTAURA E ABENÇOA


“As eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho e de óleo. Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros.”
(Joel 2.24-25)

A vida nem sempre é feita só de vitórias; muitas vezes perdemos algumas lutas também. E as nossas vitórias acontecem não por nossos próprios méritos, mas sim porque temos um Deus soberano, que não nos deixa perder. Ao não sermos vencidos nas lutas da vida, assim acontece pela grandeza de nosso Deus, e não por nossa própria grandeza.

O texto de hoje marca o limite entre a derrota e a vitória. As palavras do profeta Joel são a certeza da intervenção de Deus em um tempo de dor e sofrimento. A mensagem trouxe esperança às pessoas que sofreram perdas e muitas provações: uma guerra depois da outra, agressões sistemáticas, inimigos de todos os tipos, cidades continuamente destruídas, saques constantes, calamidades naturais, falta de chuva e ainda pragas de gafanhotos. Esse cenário de destruição, com perdas por todos os lados, tira toda esperança do povo.

Em tempos de crise, no entanto, o importante é pensar que perdemos muito mais do que apenas coisas materiais. No contexto dessa passagem, Israel tinha tido perdas materiais, espirituais e emocionais. O que vemos nesses versículos é reflexo de algo maior: – quando Deus nos fala em restituição há que ser considerado esses três aspectos.

A restituição material é descrita como a renovação da fertilidade do solo e o retorno das chuvas na medida certa: “Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, regozijai-vos no Senhor, vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva; fará descer, como outrora, a chuva temporã e a serôdia (v. 23). Com isso Ele supre, com fartura, a necessidade de alimentos  do povo: “e, respondendo, lhe disse: Eis que vos envio o cereal, e o vinho, e o óleo, e deles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre as nações” (v. 19).

A restituição espiritual acontece por intermédio da genuína conversão. Assim, o povo recebe o perdão de Deus: “Então, o Senhor se mostrou zeloso da sua terra, compadeceu-se do seu povo” (v. 18). Ou seja, fica marcado o reinício de um relacionamento justo e correto com o Senhor, com base no cancelamento de todos os débitos por pecados. Poderiam agora tê-lo como seu único Deus verdadeiro, recebendo os benefícios da sua comunhão plena, como nunca antes experimentado: “Sabereis que estou no meio de Israel e que eu sou o Senhor, vosso Deus, e não há outro; e o meu povo jamais será envergonhado” (v. 27).

Finalizando o processo, a restituição da paz e da segurança. O Senhor Todo-Poderoso promete devolver a paz e a segurança para o seu povo, intervindo diretamente contra os inimigos de Israel: “Mas o exército que vem do Norte, eu o removerei para longe de vós, lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta; lançarei a sua vanguarda para o mar oriental, e a sua retaguarda, para o mar ocidental; subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque agiu poderosamente” (v. 20). Só o Senhor pode dar paz e segurança ao nosso coração. Portanto, quando pensarmos em restituição, não devemos focar apenas nas coisas materiais, mas sim lembrar que cremos no DEUS QUE PERDOA, RESTAURA E ABENÇOA.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAUJO

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

NADA MENOS DO QUE DEUS, NADA MAIS DO QUE ELE


“Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?”
(Salmos 42.1-3)

Os atrativos desse mundo tem ganhado espaço no coração do homem, na sua busca por ocupar um vazio, que em verdade só pode ser preenchido por Deus. Rodeada de opções, a humanidade aparentemente já não sente mais saudades de Deus. O deus desse mundo – com “d” minúsculo mesmo – se encarrega de mascarar a nossa fome e a nossa sede daquilo que transcende a todo o entendimento, nos oferecendo tudo o que de material está à nossa disposição, sempre ao gosto do consumidor.

No texto de hoje estamos diante de outra realidade. Para aqueles que de fato amam a Deus as aspirações e desejos são diferenciados. Em vez de desejar as coisas do mundo, a vontade desses é estar na presença de Deus. O salmista compara esse desejo ao de um namorado apaixonado, que não vê a hora de encontrar-se novamente com a pessoa amada. Ele reforça a mensagem com a imagem de uma corça sedenta no deserto, que deseja ardentemente os ribeiros de águas. Em João 7.37-38 Jesus promete que para aqueles que virem a Ele, e beberem da sua fonte, fluirão ribeiros de água viva em seus corações. Isto ele disse em relação ao Espírito que haveriam de receber os que nele cressem (João 7.39a).

O desejo por Deus deve ser concretizado de uma forma prática e objetiva, sendo essa a motivação do salmista ao perguntar: “quando irei e me verei perante a face de Deus?” A ausência de Deus lhe causa tristeza e dor: “As minhas lágrimas têm sido o meu alimento dia e noite” (Salmos 42.3a).

Aqueles que realmente amam a Deus não encontram descanço em outra coisa, a não ser Nele (v. 2b): “O desejo de Davi é muito maior do que tinha pelas águas do poço de Belém”. Ele compara a sua respiração ofegante como a de um cervo. Ou melhor, de uma corça, porque o verbo no original está na forma feminina, e  dizem que a fêmea tem mais sede do que o macho. A sede da corça é aumentada quando ela corre para escapar dos caçadores, como parece ser a situação no caso indicado.

Mas afinal quando, de fato, sentiremos essa sede da presença de Deus? Será que apenas quando formos privados da oportunidade, como no caso de Davi? Note-se que muitas vezes Deus nos ensina o valor das coisas pela falta delas, e estimula o apetite dos meios de graça pela impossibilidade de dispor dos mesmos.

Nossa oração deve expressar um desejo ardende para que, de fato, venhamos a nos curar desse fastio, ou seja: uma certa apatia por tudo o que se relaciona ao SENHOR. Que possamos encontrar em Deus, no seu Espírito Santo que habita em nós, o ribeiro de água viva, para podermos dizer que desse mundo queremos apenas NADA MENOS DO QUE DEUS, NADA MAIS DO QUE ELE.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

sábado, 8 de setembro de 2012

DEUS NUNCA SE ESQUECE DE VOCÊ


“Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar.”
(Mateus 14.24-25)

Muitas pessoas sofrem em decorrência clara da desobediência a Deus. A denominada lei da semeadura é implacável, sendo sempre aplicada no seu devido tempo, custe o que custar: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7). Por outro lado, devemos admitir que as lutas não são exclusividade dos desobedientes. Podemos estar passando por elas mesmo quando seguimos as orientações do Senhor.

Os discípulos tinham recebido instruções do Mestre para passar ao outro lado do mar: “Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões” (Mateus 14.22). Ao obedecerem esta ordem encontram pela frente um mar agitado, causando-lhes muita preocupação. Considerando o momento em que Jesus os deixou “Em caindo a tarde (...)” (v. 23b), até a sua chegada “Na quarta vigília da noite (...)” (v. 25a) (a quarta vígilia era o período que se extendia de três às seis da manhã), é possível estimar que os discípulos tenham passado pelo menos nove horas na água, tentando fazer uma viagem que em situação normal duraria no máximo uma hora.

A inevitável pergunta que surge em circunstâncias como essas é clara: como isso pode acontecer com alguém que está servindo a Deus? Tudo o que eles estavam fazendo ali era o que o próprio Cristo lhes havia ordenado. No entanto encontram pela frente um mar agitado e Jesus não aparecia para ajudá-los. O cansaço logo toma conta, pois afinal o esforço é grande para vencer as dificuldades, e a demora do socorro leva à exaustão física emocional.

Para entender essas situações devemos compreender, definitivamente, que os verdadeiros caminhos de Deus não são necessariamente os nossos caminhos. O Senhor, por certo, queria ensinar algo e, assim, recusou intervir na situação. A intervenção imediata em alguns problemas pode não ser o melhor remédio. Algumas vezes precisamos ser treinados em meio a crises, pois são exercícios necessários para nos tornarmos melhores e mais fortes.

Por outro lado precisamos aprender o quanto somos limitados diante de certas situações, não importa qual seja. Mas na verdade Deus nos socorrerá na hora certa, tirando proveito de todas as circunstâncias para nos ensinar os seus caminhos. O apóstolo Paulo afirmou que “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8.28).

A lição de Jesus foi clara: mesmo com vento contrário e o barco atingido por ondas, eles não deveriam voltar atrás. Assim, apesar das dificuldades, eles perseveram em cumprir a ordem de Jesus, pois há sempre um alvo no “(...) outro lado (...)” (v. 22) das travessias adversas. Mesmo com as dificuldades no cumprimento daquela ordem, não deviam permitir que lhes tirassem a vontade de lutar. Se algum dia você pensar que todos te abandonaram, isso pode ser possível; mas você não estará absolutamente sozinho, pois DEUS NUNCA SE ESQUECE DE VOCÊ. Ele sempre te observa do alto e, na hora certa, chega com o socorro.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO

domingo, 2 de setembro de 2012

CHAMADOS PARA SER DIFERENTES


“No sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.”
(Efésios 4.22-24)

A falta de evidências da verdadeira conversão, entre aqueles que professam crer no Senhor Jesus, foi e continua sendo uma preocupação da Igreja do Nosso Senhor e Salvador nos tempos atuais. Muitas vezes encontramos pessoas que frequentam igrejas há anos, cujo comportamento, porém, está longe do que se espera de um servo de Deus. A resistência à mudança soa como um ato de desobediência, já que fomos instruídos pelo próprio Cristo sobre a necessidade de mudar. Dessa forma, o “Mas não foi assim que aprendestes a Cristo” (Efésios 4.20) denuncia o ato de desobediência deliberada, ressaltando a ruptura radical que deve existir entre o “antes” e o “depois” de Cristo na vida dos convertidos. Nas palavras do apóstolo Paulo, isso é comparado a um “despir-se” e logo depois “revestir-se”. Dentro desse contexto, espera-se que a mudança seja perceptível entre o “outrora” e o “agora”.

Biblicamente, todo convertido “morre” para sua vida anterior, “despindo-se do velho ser humano”. Portanto, espera-se que, como afirma a Palavra, “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6.11). Essa forma de encarar a fé inevitavelmente torna-se visível em determinados comportamentos. Em virtude disso é que surge o imperativo de Paulo para “que vos dispais do velho ser humano conforme o modo de vida passado”. Quando o apóstolo usa a metáfora “despir” e “vestir”, fala de algo que deve acontecer na vida de todo novo convertido, individualmente. Escrevendo aos romanos, Paulo fala de “despir-se das obras das trevas”. Utiliza também uma linguagem figurada ao dizer que “Vai alta à noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Romanos 13.12). Mas, afinal, que obras das trevas são essas a que o apóstolo se refere?

Por certo, ele reitera o que já havia dito aos irmãos da igreja em Colossos – “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3.8-10). Portanto, as trevas são a ira, rancor, maldade, maledicência, palavras obscenas e mentiras.

O livramento dessas posturas e atitudes é possível porque uma transformação fundamental ocorre antes: o “despir-se do velho ser humano”, juntamente com tudo que o acompanhava. Em vez de manter os comportamentos anteriores à conversão, o discípulo de Cristo deve andar na verdade, com ternura, generosidade, proferindo palavras de edificação e carinho. Isso somente é possível devido à ação renovadora do Espirito Santo: “e fostes renovados no espírito do vosso entendimento”, ressalta Paulo. O “novo espírito” é o Espírito Santo de Deus, que preenche nossas vidas. Ele renova os sentidos, o coração e a razão dos crentes, gerando a consciência de que fomos CHAMADOS PARA SER DIFERENTES.

Rev. JOÃO FIGUEIREDO DE ARAÚJO